Essa é uma edição muito especial para mim. Depois de anos de pesquisa e reflexões que também atravessam a minha própria história, em outubro chega às livrarias Herdeiros: O dilema da sucessão em empresas familiares, meu segundo livro.
Sabemos que algumas sucessões dão certo e outras não e que em algumas famílias empresárias parece haver um terreno fertil para desenvolver lideranças na família já em outras não há sucessores prontos ou preparados. Foi com a curiosidade de entender dilemas como esse que iniciei minha pesquisa, eu queria entender como é possível exercer autoridade e liderança autêntica sem permanecer à sombra dos pais ou da família e como diferenciar-se da família sem romper com ela. Escrever este livro também me fez olhar de outra forma para a minha própria trajetória e para uma pergunta que permeia tantos herdeiros: como construir um caminho próprio a partir de uma história que já estava sendo escrita quando chegamos?
Nesta edição, compartilho um pouco das reflexões e descobertas que nasceram desse processo.
Espero que gostem!
Sucessão, governança e formação da nova geração são temas que fazem parte das nossas conversas há muitos anos. Mas há uma dimensão menos visível nesse processo que também orienta o nosso olhar: a experiência emocional de quem herda e assume um lugar dentro de uma história que começou antes dele.
Em Herdeiros, essa reflexão ganha novas camadas a partir da pesquisa de doutorado da Mari e das histórias de cinco herdeiros brasileiros. Sentimentos, expectativas e dinâmicas de poder que nem sempre são verbalizados ou aparecem nos documentos passam a ocupar o centro da conversa.
Aproveitamos o lançamento para conversar sobre algumas das descobertas que deram origem ao livro.
Meu livro parte da pesquisa do meu doutorado e, toda vez que você vai fazer uma pesquisa acadêmica, precisa, antes de tudo, encontrar um gap na literatura. Eu percebia que a literatura sobre empresas familiares era vasta, com textos e pesquisas sobre sucessão e formação da nova geração, mas sentia falta de pesquisas que olhassem para a experiência do sucessor do ponto de vista mais emocional. Não apenas subjetiva, claro, mas olhando também para o sistema em que ele está inserido e para um contexto mais ampliado. Queria levar em consideração essa experiência vivida, essa experiência emocional de suceder um pai ou uma mãe, de assumir um lugar de liderança na empresa da própria família.
Acho que o que mais mudou foi perceber claramente que ela é uma oportunidade de desenvolvimento para o sucessor, para a família e para a empresa. Uma sucessão é sempre um momento de crise. Crise no sentido de ser um momento de mudança, que causa sentimentos de medo, angústia e ansiedade pela incerteza. O que aprendi estudando esses casos é que, se enfrentada de forma razoavelmente adequada, essa crise tem uma grande possibilidade de significar desenvolvimento e amadurecimento das estruturas de governança, de poder e de decisão da empresa e também pode levar os sucessores a um novo estágio de maturidade como líderes. É aquela história que as pessoas falam: “você só está pronto mesmo quando senta na cadeira”.
O processo de sucessão exige muito jogo de cintura, habilidade e autoconhecimento para que a pessoa realmente ocupe a posição exercendo sua autoridade com legitimidade.
O livro fala exatamente sobre elementos da sucessão que muitas vezes não são explorados porque não são necessariamente verbalizados ou traduzidos nos documentos. São sentimentos, fantasias e dinâmicas de poder que influenciam o processo.
A lente psicanalítica direciona o olhar para tentar entender o que está por trás. O que está realmente acontecendo aqui? Quais são as outras camadas que influenciam a forma como as pessoas se comportam, pensam e falam?? O que não está sendo dito?
É uma escuta que não vai apenas no literal, mas tenta entender as entrelinhas e compreender o que está acontecendo naquelas dinâmicas e relações. É um olhar para as relações entre as pessoas e também para a relação das pessoas com o papel que ocupam no sistema.
Uma conversa mais honesta sobre o que significa herdar, não apenas patrimônio ou uma empresa, mas também expectativas, papéis, conflitos, privilégios e responsabilidades.
Na pesquisa, encontrei três padrões relacionais e dinâmicos diferentes de resposta a essa experiência. Há os contidos, que tendem a se adaptar às expectativas familiares, muitas vezes sacrificando partes de si para pertencer. Há os competidores realizados, que encontram um ambiente em que a competição saudável é estimulada. E há os rebeldes, que, movidos por um sentimento de rejeição, tentam se provar a qualquer custo. São padrões diferentes, mas todos revelam a questão de como construir uma identidade própria quando se nasce dentro de uma história que começou antes de você? É aí que entra um tema que considero fundamental no livro: o privilégio. Muitos dos herdeiros que entrevistei falavam sobre o quanto trabalharam e precisaram provar sua competência, e isso era verdadeiro do ponto de vista da experiência subjetiva. Mas, ao mesmo tempo, aparecia uma dificuldade em reconhecer as vantagens que receberam. Como se admitir o privilégio diminuísse automaticamente o próprio mérito.
Um herdeiro pode trabalhar muito, ser competente, fazer sacrifícios e construir realizações genuinamente suas e, ao mesmo tempo, ter recebido vantagens extraordinárias que a maioria das pessoas nunca terá. Uma coisa não anula a outra.
Reconhecer o privilégio implica suportar uma ferida narcísica, questionar o ideal meritocrático e tolerar certa culpa e ambivalência.
Ser herdeiro não deveria significar apenas aprender a preservar e multiplicar o patrimônio recebido. Significa também desenvolver consciência sobre o lugar que se ocupa no mundo e como pode transformar privilégio em responsabilidade.
Depois de anos de pesquisa, escrita e muitas conversas sobre o que significa se desenvolver como líder no contexto da empresa da própria família, chegou a hora de colocar Herdeiros no mundo. No dia 20 de outubro, às 19h, nos encontramos na Livraria da Vila da Paulista, em São Paulo, para o lançamento do livro e uma noite de troca em torno das questões que atravessam suas páginas.
Lançamento do livro
20 de outubro, 19h,
São Paulo
Livraria da Vila | Paulista
Copyright (C)* Todos os direitos reservados.
Não quer mais receber nossos e-mails?
Cancele sua assinatura
SOBRE A EVOA
Sobre nós
Para quem é
Diferenciais
Depoimentos
Experiências de aprendizagem para
empresas familiares.
NEWSLETTER
© 2026. Evoa Academy – Todos os Direitos Reservados
Fale Conosco no WhatsApp!