Estamos acostumados a falar sobre sucessão como um caminho de etapas que passam por planejamento, governança, preparação e desenvolvimento.
Mas, na prática, identificar e desenvolver sucessores é um processo menos linear do que parece. Para a nova geração da família a primeira pergunta que nem sempre fazem em voz alta é: qual é de fato o meu caminho dentro, ou fora, disso tudo?
A verdade é que nem todos os herdeiros vão querer assumir o negócio ou saber, desde cedo, qual papel desejam ocupar. Investir em desenvolvimento não significa se preparar para assumir um cargo, mas começa com engajamento e criação de vínculos com o legado familiar e empresarial, com espaço real para participar, experimentar e construir repertório. O processo deve ter como objetivo apoiar escolhas conscientes quanto aos papéis possíveis e potencializar a contribuição dos membros da nova geração da família.
No fim, preparar sucessores é acompanhar um processo de construção de identidade e de liderança, em que cada um encontra a forma de sustentar um papel ou decide, com clareza, não ocupá-lo.
A experiência da nova geração dentro de empresas familiares costuma ser tratada como uma trajetória natural. Crescer próximo ao negócio, entender sua dinâmica e, em algum momento, assumir um papel.
Mas estudos mostram que essa decisão está longe de ser uma escolha óbvia. Uma das perguntas mais difíceis para os membros da chamada “Next Gen” não é como ou quando entrar, mas se devem, de fato, seguir por esse caminho. O que muitas vezes é tratado como natural ou esperado envolve camadas mais profundas de identidade, autonomia e pertencimento.
Quando essa definição acontece antes da construção de um senso individual de propósito, o risco é assumir um lugar apenas por continuidade, e não por convicção. No longo prazo, isso tende a impactar não apenas a trajetória individual, mas também a qualidade das decisões dentro do próprio negócio.
O legado como escolha?
Se a relação com o legado pode abrir caminhos e proporcionar um senso de propósito, por outro lado também pode limitar – especialmente quando a principal responsabilidade percebida passa a ser preservar o que já existe.
Relatos reunidos também pela Banyan mostram que muitos membros da nova geração convivem com essa ambiguidade. Ao mesmo tempo em que reconhecem o privilégio, também carregam o peso de corresponder expectativas que nem sempre foram explicadas com clareza.
Talvez a questão não seja apenas preparar a nova geração para lidar com o legado, mas entender se existe, de fato, espaço para transformá-lo.
Desenvolver é criar espaço de experiência
Estudos do INSEAD e da University of Texas sugerem que o aprendizado mais relevante não acontece apenas por instrução, mas por experiência, especialmente em contextos que permitem testar, errar e ajustar ao longo do tempo.
O que essas pesquisas apontam é a importância de tornar o ambiente um espaço onde a construção de repertório acontece na prática, e não apenas na transmissão de conhecimento.
Isso vem de encontro com a recomendação recorrente em estudos sobre empresas familiares que defendem a necessidade de experiências fora do negócio antes de assumir qualquer papel. Períodos que seriam essenciais para garantir que, quando essa escolha acontecer, ela venha acompanhada de legitimidade.
Engajamento se constrói, não se herda
Dados da Gallup mostram que o engajamento está diretamente ligado à forma como as pessoas se conectam com o que fazem e percebem impacto no que constroem.Isso ajuda a explicar por que a nova geração nem sempre se conecta de imediato com o negócio. O vínculo e sentido exige tempo, experiência e participação ativa.
Esse ponto também mostra uma limitação comum nos programas de desenvolvimento. Muitos ainda são passivos, com a nova geração em posição apenas de ouvinte. Sem espaço para testar, errar e decidir, o aprendizado perde profundidade e o engajamento não se sustenta.
O papel da empresa e da família
A partir dessas discussões, algumas direções começam a se consolidar para famílias e empresas que querem desenvolver a Next Gen de forma mais consistente. Aqui vão algumas dicas práticas:
• começar cedo a compartilhar a história e os valores da empresa da família
• tornar claros os diferentes papéis possíveis dentro da família e da empresa
• ir além das competências técnicas, desenvolvendo autoconhecimento, comunicação, empatia, resiliência e pensamento crítico
• estimular experiências profissionais fora da empresa familiar
• criar oportunidades reais de responsabilidade e participação
• garantir feedback honesto e estruturado para familiares que atuam no negócio
• incentivar aprendizado contínuo sobre estratégia, governança e finanças
• ampliar repertório, conectando o negócio ao contexto social, econômico e cultural
Preparar a nova geração é um investimento de longo prazo. Quando feito de forma intencional, aumenta não apenas as chances de continuidade do negócio, mas também a qualidade das relações e a capacidade de adaptação ao longo das gerações.
O paradoxo da produtividade na era da IA
Um estudo da BCG mostra que o uso intensivo de ferramentas de IA pode estar gerando o efeito oposto ao esperado: mais fadiga mental, mais erros e até maior intenção de pedir demissão. O chamado “AI brain fry” revela um novo desafio: não é só adotar tecnologia, mas aprender a usá-la sem sobrecarregar a capacidade cognitiva das pessoas
Engajamento ainda é um problema estrutural
Dados reunidos pela Zoom reforçam um cenário conhecido, mas pouco resolvido: engajamento continua baixo e desigual. Enquanto líderes estão mais otimistas com IA e produtividade, funcionários seguem mais céticos e preocupados com segurança e clareza. O gap não é tecnológico, é de conexão, comunicação e confiança.
Trabalho também precisa de leveza
Um insight simples, mas poderoso: incluir mais “fun” no dia a dia pode impactar diretamente performance e bem-estar. O artigo defende que momentos de leveza no trabalho não são distração, mas parte essencial de ambientes mais criativos, engajados e sustentáveis no longo prazo
Dicas para se manter atualizado
Um livro que coloca em palavras algo essencial, mas muitas vezes negligenciado: a necessidade humana de se sentir importante. Mattering mostra como a sensação de ser valorizado no trabalho, na família e na sociedade está diretamente ligada a bem-estar, motivação e desempenho. Uma leitura relevante para quem lidera pessoas (e também para quem quer repensar o próprio lugar no mundo).
Um episódio que ajuda a traduzir estratégia em prática em um cenário cada vez mais complexo e acelerado. A conversa traz reflexões sobre como os líderes podem navegar por mudanças, especialmente com o avanço da IA, mantendo clareza, foco e capacidade de execução. Um bom insight: mais do que planejar melhor, o desafio hoje é adaptar rápido sem perder a direção.
O Programa de Desenvolvimento da Nova Geração é uma jornada estruturada que prepara jovens membros de famílias empresárias para assumir seus papéis como acionistas, gestores ou participantes da governança, combinando autoconhecimento, desenvolvimento individual e construção coletiva. A partir de um diagnóstico inicial, o programa integra assessments, planos de desenvolvimento personalizados e encontros em grupo, criando um espaço para amadurecimento, alinhamento de expectativas e fortalecimento do coletivo de sócios e na construção de uma atuação responsável e consciente no negócio familiar.
Logo mais, lançaremos também A Trilha Next Gen, uma jornada contínua de troca entre pares, reflexão crítica e contato com diferentes realidades, ajudando jovens de famílias empresárias a entender seu papel, dentro ou fora do negócio, e a construir legitimidade em um mundo cada vez mais complexo. Mais do que preparar herdeiros, o foco é desenvolver pessoas capazes de transformar privilégio em ação com impacto.
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