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O que continua sendo essencialmente humano?

Estamos vivendo a era da eficiência em escala. Sistemas passam a interagir entre si, decisões são aceleradas e tarefas que antes levavam horas agora acontecem em segundos.

Mas, ao mesmo tempo, cresce uma inquietação. Se quase tudo pode ser organizado, escrito ou executado por máquinas, o que continua sendo essencialmente humano? Onde reside o valor da nossa contribuição?

Tenho pensado que esse valor está menos na execução e mais na presença. Pelo menos é isso que vemos na prática da Evoa com nosso trabalho de consultoria. Quando entramos em contextos onde as decisões não são lineares, nosso trabalho acontece na escuta, na adaptação ao caso real e na sensibilidade para perceber que decisões nunca são apenas técnicas.

Em um mundo automatizado, talvez o desafio não seja competir com a tecnologia, mas compreender qual papel continua sendo nosso, continua sendo humano.

Olhar Evoa

A inteligência artificial deixou de ser experimento e passou a operar no centro das organizações. Mas, à medida que essa escala se consolida, a pergunta que fica é: o que continua sendo essencialmente humano e por que isso passou a importar ainda mais?

Pesquisas recentes ajudam a explicar melhor o tema. Um estudo da Ipsos mostra que a maioria das pessoas ainda prefere conteúdos criados por humanos, especialmente quando o assunto envolve informação e confiança. Já a CNET observa um movimento semelhante ao analisar a expansão do conteúdo gerado por IA na internet: quanto mais textos, imagens e respostas automáticas se multiplicam, mais cresce a demanda por materiais que tragam experiência e autoria reconhecíveis. Os algoritmos não eliminaram o humano; ao contrário, tornaram sua presença ainda mais valiosa.

Essa relação com a tecnologia também varia entre gerações. Um levantamento da PYMNTS aponta que públicos mais jovens tendem a experimentar a IA com maior abertura, enquanto gerações mais experientes demonstram cautela. Mas, independentemente da idade, o fator decisivo não é apenas eficiência técnica, é confiança.

O cansaço do excesso e a volta do analógico

Esse movimento não aparece apenas no digital. Reportagens da CNN Brasil apontam que pessoas estão, conscientemente, optando por estilos de vida mais analógicos como resposta ao cansaço desta automação constante.

O crescimento do mercado de discos de vinil no Brasil ajuda a ilustrar esse fenômeno. Não se trata apenas de música, mas de ritual e escolha dedicada à experiência. Em um cenário dominado pela instantaneidade, o artesanal reaparece não como nostalgia, mas como contraponto ao consumo rápido.

Conteúdo, autoria e confiança

No campo da comunicação, o debate ganha camadas mais sensíveis. A Axios e o Financial Times discutem como textos gerados por IA desafiam noções de autoria e confiança, especialmente em ambientes profissionais. Se tudo pode ser produzido em escala, o que garante credibilidade?

A NBC News traz um exemplo emblemático: universidades tentando criar ferramentas para “humanizar” textos feitos por IA, numa tentativa de torná-los mais aceitáveis socialmente. O paradoxo é evidente, buscamos na máquina aquilo que reconhecemos como humano, ao mesmo tempo em que percebemos que isso não pode ser simulado.

A Harvard Business Review aprofunda essa discussão ao afirmar que valores humanos não emergem espontaneamente da tecnologia. Eles precisam ser incorporados de forma deliberada ao uso da IA. Julgamento ético, leitura de contexto, responsabilidade e escuta não são subprodutos da automação e esse é um ponto central para empresas. Nessas organizações as decisões raramente são apenas técnicas. Ali história, vínculos, expectativas e afetos atravessam o negócio e é claro que a IA pode apoiar processos, mas não substitui o discernimento necessário para decisões que impactam pessoas e relações de longo prazo.

A era dos agentes e o deslocamento do humano
Além da produção de conteúdo, estamos entrando na chamada era dos agentes, sistemas que não apenas respondem comandos, mas operam de forma autônoma e interagem entre si. Plataformas como OpenClaw e integrações como Claude Code apontam para um cenário em que softwares executam fluxos e tomam decisões operacionais com pouca intervenção humana.

Como observa o New York Times, o salto agora é redistribuir o trabalho cognitivo. Nesse contexto, o humano tende a sair da execução e migrar para outro lugar e talvez seu valor passe a estar na interpretação, no julgamento e na responsabilidade pelas consequências.

O risco de parecer humano sem ser

Surge então o fenômeno chamado de humanwashing, no qual marcas e organizações simulam humanidade enquanto aprofundam processos impessoais.

Hoje já reconhecemos respostas com “cara de IA”. O excesso de adjetivos, a empatia padronizada, a linguagem treinada para ser não violenta, mas que soa genérica. Quando uma marca que construiu reputação ao longo de décadas passa a responder consumidores com mensagens automatizadas que simulam cuidado, o risco não é tecnológico, mas sim reputacional.

No olhar da Evoa, a questão não é se a IA deve ser usada, mas onde ela faz sentido e onde o humano precisa permanecer visível. Em um ambiente cada vez mais automatizado, confiança não nasce da velocidade da resposta, mas da coerência entre intenção e linguagem e talvez essa seja a pergunta da nossa era: quando tudo pode ser automatizado, o que escolhemos manter sob responsabilidade humana?

Visão de Futuro

  • Empresas entram na era das “organizações agentic”
    Relatório da Hotwire com a House of Beautiful Business mostra como a IA está deixando de ser ferramenta de apoio para atuar como agente dentro das empresas, influenciando decisões, fluxos de trabalho e visibilidade das marcas. O desafio agora é equilibrar automação com julgamento humano.

    Usar IA para falar com amigos ainda é socialmente estranho
    Artigo da The Atlantic discute como recorrer à IA para escrever mensagens pessoais pode economizar tempo, mas enfraquecer o cuidado e a autenticidade nas relações. No campo emocional, a “etiqueta da IA” ainda está em construção.

Para se Inspirar

Dicas para se manter atualizado

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Amanda Askell, filósofa residente da Anthropic, trabalha para traduzir conceitos éticos e decisões morais para sistemas de IA. O episódio discute como valores humanos estão sendo formalizados em modelos e por que isso importa à medida que a IA ganha mais autonomia.

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No episódio, um dos fundadores da Anthropic analisa o que realmente mudou com a entrada na

era dos sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma e até colaborar entre si, se já estamos mais produtivos e quais podem ser os impactos na economia, no mercado de trabalho e nas próximas gerações.

Transformando Legados

Parte do time da Evoa divide aprendizados que têm transformado suas trajetórias e ampliado sua forma de ver o mundo.

Há cinco anos comecei a surfar e, sem me dar conta, entrei em uma das experiências de aprendizagem mais transformadoras da minha vida. No mar, conheci meus limites, desafiei medos, descobri meus rituais e observei como reajo diante da frustração, da competição e da incerteza. Tantas vezes saio da água em um estado de plenitude e gratidão que parece mudar as cores do meu dia.

O aprendizado ao longo da vida não vem apenas de cursos ou livros técnicos, mas de se colocar em situações que nos desafiem de verdade, sustentar o desconforto de não saber, não dominar e encontrar prazer no processo. É na experiência vivida, quando acompanhada de reflexão, que alguma transformação é possível.

Na Evoa, acreditamos que aprendizagem transformadora vai além de eventos formativos específicos. Ela acontece quando a vida vira matéria-prima de desenvolvimento no trabalho, na família, no mar ou onde quer que estejamos dispostos a aprender de verdade.

– Mariana Moura, fundadora

Confesso que não sou uma pessoa que se sente confortável em voar. A sensação de falta de controle de certa forma desencadeia ansiedade. Mas que tal aprender a lidar melhor com isso? Em um momento em que a doença do meu pai provocava em mim um turbilhão de emoções decidi vivenciar uma experiência de aprendizagem muito além de um curso ou um livro técnico: saltei de paraquedas.

O coração acelerado e a mistura de ansiedade e empolgação antes do salto. No momento de pular o medo do desconhecido e um pico de adrenalina. Depois veio a euforia libertadora nos segundos de queda livre, uma sensação de prazer. Por fim, o silêncio e a tranquilidade tomaram conta de mim com a abertura do paraquedas permitindo apreciar a vista. Ao final o que aprendi? Autoconfiança, foco, superação e deu uma vontade imediata de repetir a experiência.

– Gisele Walczak Galilea, sócia e diretora

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