Em empresas familiares, o impacto quase sempre tem início onde tudo começa: no território, no entorno, no chão que viu a empresa nascer. É ali que a história cria raízes e onde, muitas vezes, também nasce a responsabilidade, o desejo de contribuir e impactar positivamente.
Por muito tempo, “cumprir o nosso dever” significava gerar empregos e manter a folha em dia, mas, hoje, o chamado é outro. Falar de impacto positivo é perguntar: o que essa empresa entrega, além do que recebe? Que legado constrói e deixa para a sociedade?
Não se trata de abrir mão do lucro, mas sim de entender que o mundo mudou e que as empresas que seguem relevantes são aquelas capazes de unir propósito e resultado, performance e regeneração.
Afinal, quem tem raízes tem força, e quem conhece o lugar de onde veio pode ser o primeiro a transformá-lo.
Durante muito tempo, impacto social foi visto como “bônus”, aquele gesto nobre, mas à parte do “core” dos negócios. Hoje, felizmente, esse olhar mudou. Empresas que integram propósito à estratégia crescem mais, engajam melhor e deixam marcas mais sólidas. E isso não é idealismo, é gestão.
Segundo a Harvard Business School, empresas com compromisso claro conseguem tomar decisões mais coerentes, alinhar times e inovar com mais consistência. Não se trata de um slogan, mas sim de um eixo que orienta cultura, estratégia e produto.
Nas empresas familiares, esse alinhamento pode ser ainda mais potente. Muitas vezes, o propósito já está ali: nos valores da fundação, no vínculo com o território, nas histórias que atravessam gerações. O que falta talvez seja torná-lo mais explícito e colocá-lo no centro das decisões.
Mas não basta parecer genuíno, é preciso de fato ser. Quando a visão de impacto deixa de ser discurso e passa a guiar escolhas reais, ele se transforma em diferencial competitivo.
Embora o movimento de “capitalismo consciente” tenha sofrido críticas e retrocessos recentes no ambiente corporativo dos EUA, especialistas defendem que o problema não está na ideia de unir lucro e propósito, mas na forma como ela foi apresentada e praticada. Como aponta a Fast Company em sua análise sobre o futuro do “business for good”, o desafio agora é reposicionar o discurso e integrar o impacto como parte estrutural da lógica de negócios, e não como um apêndice simbólico.
A Forbes mostra que empresas orientadas por impacto superam seus pares em crescimento, inovação e lealdade. Não por acaso, a Geração Z, que muito em breve será maioria na força de trabalho e no consumo global, já dá o tom: segundo o The Times, o novo consumidor quer propósito, sim mas quer também performance. Empresas que não conseguem entregar os dois, perdem espaço.
A percepção de valor também mudou para quem está do outro lado, os consumidores. Segundo o ranking Best Brands for Social Impact, da Forbes, esses já não querem apenas o melhor produto ou serviço: querem comprar de marcas que representam algo.
A escolha de marca se tornou, também, uma escolha de valores. Empresas que retribuem à sociedade, cuidando do planeta ou assumindo compromissos transparentes, constroem comunidades de clientes mais fiéis e engajados, verdadeiros defensores da marca.
É o impacto percebido e vivido que gera o vínculo, e esse cada vez mais, é um ativo precioso.
Mas muitas empresas ainda tropeçam na confusão de propósito e narrativa. Quando não há coerência entre o que se diz e o que se faz, o efeito pode ser o oposto. Desconfiança, desgaste de reputação e perda de relevância.
Propósito, para gerar impacto real, interno e externo, precisa ser vivido no dia a dia. Precisa estar nas práticas de gestão, na forma como se trata o colaborador, na escolha de fornecedores, nos critérios de investimento, no produto final e, só por fim, na comunicação.
Nesse cenário, as empresas familiares têm algo que muitas grandes corporações não têm: enraizamento. Elas conhecem o território onde atuam e sabem (ou deveriam saber) onde estão os vínculos, as histórias, as dores.
Segundo o Family Business Org, esse laço local, quando reconhecido e ativado, pode se transformar em força estratégica. A conexão com o lugar, com a comunidade e com a história da família permite criar soluções relevantes e duradouras.
Como mostram os estudos recentes publicados na Family Business Blog Network pelo IESE, o “S” do ESG, que trata do impacto social, ganha outra dimensão nas empresas familiares. Elas não atuam “sobre” a comunidade, mas sim “com” elas.
Um exemplo recente ajuda a entender a importância de manter o investimento enraizado: a cidade de Benevides, no Pará. Como mostrou a BBC, o município abriga a maior fábrica de leite condensado da Nestlé no mundo, mas ainda enfrenta desafios estruturais sérios, como falta de saneamento e educação de qualidade. O motivo? Boa parte da riqueza gerada ali é transferida para outros centros, seja por meio da contratação de fornecedores de fora ou pelo próprio modelo de distribuição de impostos.
Esse caso escancara um alerta: impacto positivo precisa ser intencional, construído com presença e com comprometimento real com o desenvolvimento do território. Quem tem raízes, tem também responsabilidade e, mais do que isso, tem legitimidade para transformar.
Algumas já entenderam que impacto positivo não é discurso e estão colocando isso em ação de formas muito concretas:
Patagonia e o ativismo ambiental: a marca doa parte do faturamento anual para causas ambientais, investe em materiais regenerativos e tornou o ESG parte central de sua operação.
Cisco e impacto como cultura interna: a empresa integrou ações de voluntariado e doações à rotina dos colaboradores, com resultados concretos: quem participa de iniciativas sociais tem 22% mais reconhecimento, 13% mais chance de promoção e 12% menos chance de sair da empresa. Líderes engajados formam times mais conectados e com 20% menos rotatividade.
Global 500 e o peso do legado: das 500 maiores empresas familiares do mundo, 85% operam há mais de 50 anos e 34% há mais de um século. Segundo a EY, esse foco no longo prazo é justamente o que permite alinhar crescimento econômico com impacto duradouro.
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